“Uma das coisas que mais irritava os fascistas antes do 25 de Abril eram as greves.
As greves são um direito de exercício individual de organização coletiva. Juntam vontades individuais num momento coletivo.
Por isso, as maiores levas de presos políticos do regime fascista aconteciam durante e depois de greves ou após as encenações de eleições.
Os que tentam limitar ou condicionar o exercício do direito de greve, além de conhecerem mal a História, aproximam-se de más companhias.
O 25 de Abril foi quando e porque a PIDE estava ocupada com a "leva" do 1º de Maio e não tinha tempo para interrogar os militares do 19 de Março, o golpe falhado das Caldas.
Passado o 1º de Maio, os pides viravam o foco para eles e a conspiração podia ser revelada. Por isso, tudo se precipitou uma semana antes.
Quem diz "não gostar de greves" não entende a essência da Democracia.
Desde Roma que a greve é uma das ferramentas essenciais da Liberdade. E quem não entende isto, se não é fascista devia ter cuidado com as contaminações.
Os fascistóides de pacotilha, que nos calharam em sorte neste 1º quartel do século XXI, também não gostam nada de greves e tentam tudo para as evitar.
E não podem prender, mas tinham vontade, e fazem a sua pressãozinha (às vezes nem sequer diminuta).
A melhor resposta é remetê-los à insignificância das suas ideias feias.”

Por estes dias, muitos Oficiais de Justiça estão a aderir às greves disponíveis neste momento, convocadas por quatro entidades sindicais, com encerramento total de muitas secções, sim, com adesão a 100%. Estes Oficiais de Justiça fazem-no com uma grande coragem, face às múltiplas pressões, seja na forma de despachos escritos, seja em vociferações de todo o tipo, mais, ou menos, audíveis; mais, ou menos, diretas. Mas a coragem também se verifica pela bravura da perda de rendimento, do já pouco que auferem, porquê? Porque querem e preferem manter sempre a cabeça erguida.
“Quem já ganha pouco sacrifica mais” e, por isso, sacrifica tanto. E é por causa dessa determinação que estas greves não são meras conveniências de fins-de-semana prolongados, como muitos gostam de desprezar, pelo contrário, são atos de grande galhardia que aos críticos dos murmúrios falta.
Muitos serviços do Ministério Público e tribunais estão fechados, mais uma vez, para ver se se consegue que reparem na falta que as portas abertas fazem e na importância destas pessoas para manter o Serviço Nacional de Justiça a funcionar.
Ao contrário do que muitos pensam (mal) nos tribunais não há só juízes e não se fazem só alguns julgamentos mediáticos; há cerca de 7000 homens e mulheres que ficam de boca aberta quando ouvem, sem ir mais longe, ontem mesmo, no Parlamento, o líder da bancada do partido do Governo, Hugo Soares, defendendo a proposta de lei do OE2025, referir-se ao Oficiais de Justiça, como estando em pé de igualdade com as demais carreiras bafejadas com aumentos salariais de três dígitos, confundindo os dois dígitos: de 30 com 300, e considerando-a mais uma carreira arrumada e pacificada.
Pode ver e ouvir a referida intervenção de Hugo Soares, no vídeo abaixo, especialmente a partir do minuto 08m50s: “(…) são os mais de 7000 Oficiais de Justiça (…) que viram as suas carreiras valorizadas e as remunerações no final do mês aumentadas.”
Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2025 aprovada na generalidade, contendo orçamentado apenas o valor dos 3,5% a mais no suplemento remuneratório para o ano de 2025.
Fonte: Entre aspas reproduz-se a publicação original e, no final deste artigo, adapta-se a ideia para a realidade dos Oficiais de Justiça. Pode aceder à versão original na página de Facebook de Luís S. Braga, da carreira dos professores.
