Decorre hoje, durante a manhã, entre as 09H00 e as 12H30, uma iniciativa de colheita de sangue no Palácio da Justiça de Vila Nova de Famalicão.
Esta iniciativa, que parte da Associação de Dadores de Sangue daquela cidade, apesar de decorrer nessas instalações judiciais, não está restringida aos trabalhadores daquele edifício, pois mantém-se aberta à população em geral, que lá esteja por qualquer motivo, ou que ali se desloque propositadamente para este fim.
De entre os Oficiais de Justiça que ali trabalham há dadores de sangue com alguma periodicidade enquanto que outros poderão estrear-se neste ato cívico fundamental para salvar vidas.
Esta iniciativa poderia passar por todos os tribunais e serviços do Ministério Público, especialmente aqueles onde laboram diariamente largas dezenas de Oficiais de Justiça. As administrações da justiça (central e locais) poderiam encetar acordos com o Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST), porque a grande maioria dos Oficiais de Justiça são solidários.
O sangue, que ainda não se consegue produzir de forma artificial, salva vidas, desde logo nos tratamentos médicos de emergência, nas cirurgias, transplantes e doenças crónicas como o cancro, podendo chegar cada doação, isto é, cada colheita de uma só pessoa, ajudar a salvar até quatro vidas.
Quer isto dizer que cada dador pode afirmar que com o seu ato está a salvar entre uma a quatro vidas.
O dador de sangue, com o seu ato voluntário e altruísta garante também o fornecimento de alguns componentes sanguíneos, como plaquetas e plasma, para quem precisa em concreto desses componentes.
Para si próprio, o dador conta, para além da satisfação pessoal, com um rastreio de saúde gratuito, uma vez que a doação inclui uma análise gratuita à saúde do doador, verificando doenças como HIV, Hepatite B e C e Sífilis.
O procedimento é simples e seguro, é realizado com material descartável, não havendo risco de contrair doenças.
A ausência ao serviço para doar sangue é falta justificada, não para todo o dia, mas para o tempo que for necessário para a doação (e deslocações), sem qualquer perda remuneratória ou afim.
O dador de sangue pode constituir-se como Pessoa Dadora de Sangue, passando a ter alguns direitos, como a isenção das taxas moderadoras no acesso à prestação de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS), à acessibilidade gratuita ao estacionamento nos estabelecimentos do SNS, aquando da dádiva de sangue, e a ausentar-se das suas atividades profissionais pelo tempo necessário para a dádiva.
O dador tem também direito a um seguro que lhe garante o pagamento de um subsídio diário, enquanto subsistir a incapacidade, por um período não superior a 12 meses. O pagamento do subsídio diário será feito à pessoa segura. Garante o reembolso das despesas necessárias para o tratamento das lesões sofridas pela pessoa segura.
Para obter esses benefícios deve comprovar que efetuou duas dádivas nos últimos 12 meses ou ter efetuado mais de 30 dádivas na vida (dador benemérito), obtendo uma declaração do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST) que apresentará no seu centro de saúde.
O corpo repõe o volume de sangue doado nas primeiras 24 horas, o volume de plasma é reposto em algumas horas, as plaquetas em alguns dias e as hemácias levam de 4 a 8 semanas para serem completamente repostas. A sua recuperação total do ferro pode demorar 8 semanas para homens e até 12 semanas para mulheres.
Por causa do tempo necessário à reposição de todos os componentes, os homens devem esperar um mínimo de dois meses para voltar a dar sangue e as mulheres três meses.
É preciso ir em jejum para a doação? Não, pelo contrário. Estar alimentado e hidratado ajuda a prevenir o leve mal-estar durante a doação, tornando o processo mais confortável.

Fonte: "Sapo Notícias".
