Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

“Dão-se alvíssaras a quem a encontrar”?

      Ontem (05JUN) foi dia de concentração-manifestação no Palácio da Justiça de Sintra.


      Os Oficiais de Justiça que compareceram à concentração empunhavam cartazes com a cara da ministra da Justiça onde se podia ler: "Onde está a ministra?" e, noutro, "Dão-se alvíssaras a quem a encontrar."


      Mas os Oficiais de Justiça estão mesmo interessados em encontrar esta atual e ainda ministra da Justiça? E mais: estão mesmo dispostos a dar alvíssaras?


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      Tal como este último domingo aqui publicávamos a opinião de um conceituado advogado com coluna de opinião no jornal "Público", a ministra da Justiça mantém-se afastada do diálogo, especialmente com os Oficiais de Justiça, alegando que delegou esse diálogo no seu secretário de Estado e Adjunto da Justiça, Jorge Costa, secretário de Estado este que desenvolve tanto o diálogo como a ministra da Justiça, ou seja: nada.


      No entanto, não é de todo verdade que a ministra da Justiça esteja desaparecida. O advogado Francisco Teixeira da Mota, dizia que referir que a ministra está totalmente ausente será um excesso e justificava assim:


      «Total ausência é um excesso, é certo, já que a senhora ministra, nestes últimos tempos, esteve presente, para além de cerimónias oficiais, no programa televisivo Praça da Alegria.»


      E completava:


      «Infelizmente, não falou da situação em que se encontram os nossos tribunais, decorrente do braço-de-ferro que, em má hora, decidiu (certamente mal aconselhada) travar com os sindicatos dos funcionários de justiça.»


      O mesmo causídico comparava ainda a atitude da ministra da Justiça com outro ministro:


      «Na educação, temos visto um ministro a explicar-se, melhor ou pior, mas, por diversas vezes, sobre a política que pretende executar e as razões das divergências com os sindicatos.


      Na Justiça, pouco ou nada sabemos sobre a estratégia do Ministério ao lidar com as greves, mas o certo é que todos os que trabalham nos tribunais sabem bem que não faz qualquer sentido, nem traz bons resultados, tratar como inimigos da Justiça os seus dedicados funcionários.»


      Concluía o seu artigo afirmando:


      «O ambiente nos tribunais é de desânimo e creio mesmo que quem lá trabalha sente que o Estado, na pessoa da senhora ministra, o abandonou.


      Não quererá a senhora ministra da Justiça mostrar-se um pouco mais? E melhor?»


      Mas para além de Sintra, outros locais do país cumpriram a sua horita de greve, com ou sem concentração, com ou sem fotografia, muitas outras secções estiveram inativas, como, por exemplo, Setúbal, cujas fotos seguem.


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      Também em Setúbal os Oficiais de Justiça do Juízo Central Criminal, perante um julgamento mediático, aderiram à greve horária da manhã e à greve da tarde, por estar o julgamento marcado para todo o dia, acabando adiado por falta de Oficiais de Justiça.


      No vídeo que segue pode assistir à notícia dada pela “SIC-Notícias”, relativamente ao adiamento por greve da sessão de julgamento mencionada, relatando a jornalista que o juiz que preside ao tribunal coletivo informou que sem os Oficiais de Justiça não há julgamentos.



      Mas não são só os grandes julgamentos mediáticos ou os grandes tribunais que aderem à greve. Há locais em que aderem à greve um ou dois Oficiais de Justiça, ou apenas uma secção, mas todos sentem necessidade de se fazer notar, de anunciar ao país que ali estão não virando a cara à luta e documentando cada ação, como, por exemplo, sucedeu com a foto que segue e nos foi enviada com os Oficiais de Justiça que compõem o Juízo Local Criminal de Guimarães.


      Não é necessária nenhuma multidão à porta de um tribunal para que a nível nacional, todos os dias, a contabilidade da greve conte com todos os aderentes e contabilize a firmeza e determinação desta classe profissional tão maltratada.


      Todas as horas contam e todos os Oficiais de Justiça contam também.


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      Fontes (entre outras): Artigo DD-OJ de 05JUN com reprodução do artigo de opinião de Francisco Teixeira da Mota no Público: "MJ “trava braço-de-ferro” com Oficiais de Justiça".

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