Afinal, as reuniões conhecidas e havidas com os dois Sindicatos que representam os Oficiais de Justiça, não foram agendadas por qualquer preocupação especial do Ministério da Justiça (MJ) com os Oficiais de Justiça, nem em consequência de qualquer pedido por estes efetuado, nem, muito menos, por qualquer sobressalto advindo daquele aviso prévio de um dia de greve, entretanto retirado.
As duas reuniões foram meros encontros de apresentação e cumprimentos que também incluíram as duas estruturas sindicais.
No mesmo dia 02MAI, para além das reuniões com o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) e com o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), na tarde desse dia, logo de manhã os cumprimentos tiveram início com a delegação da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) e, nesta senda, amanhã, 05MAI, continuarão os encontros de apresentação com outra reunião, desta vez com o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).
Em nota informativa, o Ministério da Justiça diz assim:
«Realizaram-se, no Ministério da Justiça, as primeiras reuniões com as estruturas sindicais representativas dos agentes da justiça.
A Ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, e o Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Jorge Alves Costa, receberam esta segunda-feira as delegações da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) e Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) para apresentar a nova equipa governativa.
Os encontros serviram ainda para reiterar a disponibilidade e abertura do Governo para aprofundar o diálogo com estas estruturas, convocando-as para um trabalho conjunto no sentido da melhoria continua do sistema de justiça focada no aumento da qualidade da resposta aos cidadãos e às empresas.
As reuniões serão retomadas a 5 de maio com o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).»
A reter:
.a) “para apresentar a nova equipa governativa” e
.b) “Os encontros serviram ainda para reiterar a disponibilidade e abertura do Governo para aprofundar o diálogo com estas estruturas”
.c) Na nota informativa do SFJ consta: “A Sra. Ministra da Justiça manifestou bastante abertura e disponibilidade” e na nota informativa do MJ constam as mesmas expressões mas invertidas: “a disponibilidade e abertura do Governo”. Ou seja, a “disponibilidade” e a “abertura”, ou a “abertura” e a “disponibilidade”, tanto o MJ como o SFJ mostram-se alinhados apenas variando se a “abertura” vem primeiro do que a “disponibilidade” ou esta antecede aquela, o que, apesar de parecer diferente, é o mesmo nada de toda a vida.
.d) Seria muito pedir que o SFJ tivesse um discurso divergente do MJ? Ou o MJ diferente do SFJ? Seria muito pedir que a entidade sindical se comportasse como tal e não como gabinete ministerial? Por que não dizer-se que a reunião não serviu para nada e que a entidade sindical nada exigiu, designadamente, que não marcou prazo para nada; que não fixou, por exemplo, um prazo concreto para a integração imediata do suplemento com anúncio de greve? É necessário marcar datas certas!
Se é certo que este Governo é a prorrogação dos anteriores, as mais de duas décadas de reivindicação de integração do suplemento, mostra-se também perfeitamente representada e prorrogada pela representação dos Oficiais de Justiça.
Com ânsia se aguarda a postura do SOJ que, à hora em que se escreve este artigo, ainda não foi divulgada, pelo menos de forma pública, por essa estrutura sindical, esperando que a sua reunião não tenha sido também um mero beija-mão.

Fonte: “Justiça.Gov”.
