Com os resultados eleitorais ontem conhecidos, os Oficiais de Justiça, certamente, verão no Governo caras já conhecidas, designadamente na área da Justiça.
A nova composição do Parlamento não trouxe alternativa aos Oficiais de Justiça, seja na área governamental, seja na área dos grupos parlamentares.
Quer isto dizer que a tática antes utilizada de tentar influenciar grupos parlamentares para a causa dos Oficiais de Justiça, não se mostra pertinente, uma vez que o futuro da carreira permanece completamente assente na mão do Governo e em tudo aquilo que pretender fazer.
De um governo para o outro, no que diz respeito aos Oficiais de Justiça, não deverá haver mudanças significativas, bem pelo contrário, estaremos perante um Governo reforçado, cuja atuação será mais convicta daquilo que pretende, sem ter necessidade de um especial cuidado em aceder aos pedidos e às reivindicações que lhes sejam dirigidas, desde logo por uns poucos, sem qualquer relevo social.
Durante o próximo período de um ano não será possível voltar a eleições legislativas, pelo que, com o reforço da votação e com o fecho na manutenção da governação, mantendo a segurança da impossibilidade de queda do Governo, qualquer Governo (seja ele qual for) não sente especial temor na perda de votantes pelas decisões que venha a tomar, desde logo perante uma classe profissional minúscula de cerca de sete mil indivíduos.
Perante esta nova realidade, os Oficiais de Justiça estão perfeitamente entregues à vontade que o Governo tiver na reformulação da sua carreira, designadamente na conclusão da elaboração do novo Estatuto, e, se ao longo dos anos, passando por tantos governos, os dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça não conseguiram nada de relevo, apesar das tantas greves e da mais recente postura colaborante, não será certamente agora que enveredarão por uma nova forma de atuar.
Assim, perante esta nova realidade, resta aos Oficiais de Justiça recorrer, mais uma vez, à fé das boas graças governamentais.
Esta carreira será aquilo que o Governo quiser e não necessariamente aquilo que os Oficiais de Justiça quiserem e, no entanto, isto nem sequer significa que seja algo que possa vir a ser negativo, uma vez que, pelo histórico acumulado, os Oficiais de Justiça nunca se mostraram capazes de bem decidir o futuro da sua carreira.

