Os Oficiais de Justiça estão fartos e cansados de tantos anos de pura impotência e repetidos inconseguimentos e, por isso mesmo, especialmente ao longo deste ano, têm surgido diversas iniciativas, individuais ou coletivas, que demonstram ainda a necessidade de ação que os Oficiais de Justiça sentem e não veem refletida nos sindicatos.
Temos dado notícia de todas as iniciativas de que vamos tendo conhecimento e hoje vamos divulgar mais uma.
Trata-se de uma carta aberta dirigida ao presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), escrita por um ex-associado deste sindicato e que, para além de associado, exerceu ainda funções de representação do sindicato num núcleo de relevo e sempre com especial destaque ao nível sindical.
Não é a primeira iniciativa deste ex-associado do SFJ, já aqui referimos outras, sem ir mais longe, no artigo de ontem, pelo que hoje damos notícia da carta aberta porque o seu conteúdo descreve, espelha o pensamento de muitos Oficiais de Justiça e apela, não só ao sentido crítico, como ao espírito de renovação de uma entidade cuja responsabilidade, pela representatividade, é muita, e tem sempre influência na vida de todos os Oficiais de Justiça.
A carta começa assim:
«Caro colega Marçal, foi o artigo de “opinião” publicado na pretérita quarta-feira, que motivou esta carta. Vejamos: O colega faz parte da estrutura sindical do SFJ, com responsabilidades executivas, pelo menos, desde 2002. Desde essa altura para cá, a carreira dos funcionários judiciais e, bem assim, os seus direitos pessoais e profissionais têm sido atacados de uma forma ímpar.»
De seguida apresenta uma breve resenha histórica com análise crítica de alguns sucessivos inconseguimentos e passividade, para concluir assim:
«Aqui chegados importa perguntar:
– Se o colega é dirigente sindical a tempo inteiro, tem responsabilidades executivas, pelo menos desde 2002, não será a falta de experiência que terá levado à assinatura deste acordo;
– Se o colega é um prestigiado dirigente político, filiado no PS, presidente da concelhia do PS da Lousã, com notórias aspirações políticas, não será a proximidade ideológica com o Governo em funções que justificará a existência desse acordo;
– A postura, comportamento e falta de palavra de todos os ministros da Justiça (do PS e do PSD), no período que compreende os mandatos sindicais nos quais tem responsabilidades diretas, a crer nas diversas informações sindicais, não poderá servir de mote nem de motivo para crer na palavra de mais uma ministra da justiça que, pasme-se, é de família política oponente à do colega.
Muitas outras questões poderiam ser esmiuçadas aqui, no entanto, o largo período de tempo na história do SFJ que está marcado pela sua ação não permite caber nesta missiva.
Para finalizar, o incompreensível adiamento das eleições para os órgãos sociais do SFJ, qual “coup d`état”, na minha ótica tem como único propósito permitir que, no futuro, havendo um qualquer novo estatuto, que divida a carreira, ou não, que deixe alguém para trás, ou não, na qualidade de dirigente sindical possa apresentar aquilo que, até hoje, não foi capaz – uma representação sindical eficaz, atual, presente, inclusiva e por todos, e não só por alguns.
Aqui chegados, a conclusão que retiro é que o colega tem trabalhado, não em prol dos associados e funcionários judiciais, tal como apregoa, mas antes contra os seus colegas, guiado pelas suas ambições pessoais, o que não teria mal nenhum se, nos intervalos, fosse olhando para os outros colegas.
Sendo o colega provido de uma tal inteligência, olhando para o seu legado como dirigente sindical, o período de tempo em que exerceu funções sindicais, o momento em que está a carreira profissional dos funcionários judiciais, o impacto direto da sua ação na vida de milhares dos seus pares e o conteúdo do seu último artigo de ”opinião”, publicado no jornal “Correio da Manhã, a ser coerente com essa inteligência, tem que, tal como a pessoa a quem se refere no mencionado artigo, tirar conclusões e deixar de, com a sua (in)ação, deixar de prejudicar, de uma vez por todas, os seus colegas.
Com os melhores cumprimentos / um ex-associado / Joaquim Queirós»
Pode aceder à totalidade da carta aqui citada através da seguinte hiperligação: “Carta aberta ao presidente do SFJ”.

