Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

“Carneiros por pastagens cibernáuticas”

      Pronto. Tem que ser. É inevitável fazer uma menção a Eduardo Lourenço. Resistimos, pela desnecessidade em face das muitas menções em toda a imprensa, até que encontramos uma opinião que, sinteticamente, tem correspondência com o pensamento subjacente a esta iniciativa e, por isso, a seguir vai reproduzida.


      «Não somos livres, não somos estimulados a produzir pensamento, a ter ideias, a considerar a nossa identidade, a nossa história. Andamos neste mundo, quais carneiros, por pastagens cibernáuticas, a ler as gordas, a passar o dedo no ecrã, disciplinados e condicionados. Manipulados. Mesmo que tenhamos a ideia da nossa liberdade, estamos presos numa bolha de algoritmos que comandam a nossa existência. Ninguém quer que o pensamento se produza; muitos querem que o pensamento se cale, que não se faça, simplesmente. Porque é mais cómodo, é menos acintoso, provoca poucas ondas e já ninguém quer navegar, essa arte que implica precisão.»


      Assim começava o artigo de opinião Patrícia Reis, intitulado “Eduardo Lourenço, o contrário do que somos” e que hoje reproduzimos por considerarmos que as suas palavras são muito pertinentes.


      A liberdade de pensamento e o pensamento crítico é algo que carece de ser alimentado todos os dias, combatendo o espírito cómodo de rebanho, e é este o trabalho diário que aqui se vem tentando desenvolver.


      Patrícia Reis termina assim a sua opinião:


      «Dizia ele, então, que o mundo estava do avesso, que era importante que os mais jovens percebessem o que é a cultura, o que é ser português, como desenhar melhor o futuro. Tinha, tem, razão, precisamos de pensamento, de procurar saber e pensar, de manter uma identidade não padronizada, não manipulada. Para isso é preciso liberdade e Eduardo Lourenço, que viveu tanto tempo, 97 anos, tinha uma liberdade verdadeiramente invejável. E nós, aqui cada vez mais sós, deveríamos reclamar essa liberdade e promover o pensamento, espalhar ideias de todas as formas, ideias que incomodem, que proponham algo mais, que desafiem. A liberdade é um exercício constante, precisa de aplicação. Eduardo Lourenço sabia-o bem.»


      Eduardo Lourenço exibia os portugueses desta forma lancinante:


      «Os Portugueses não convivem entre si, como uma lenda tenaz o proclama, espiam-se, controlam-se uns aos outros; não dialogam, disputam-se, e a convivência é uma osmose do mesmo ao mesmo, sem enriquecimento mútuo, que nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe...» (Cit. Eduardo Lourenço, in “Labirinto da Saudade - Repensar Portugal”, 1978).


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      Fonte: Pode ver todo o artigo, aqui citado, publicado em “Sapo24/Madremedia”.

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