Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

As inverdades que grassam na ingenuidade, ou talvez não

      Vamos lá à fita do tempo ou às fitas sobre o tempo.


      No passado sábado, 19OUT, adiantamos aqui a notícia dada, em exclusivo (porque mais ninguém a deu com a mesma precisão), pela publicação ECO, Economia “online”, na qual ficamos a saber que a revisão da carreira dos Oficiais de Justiça já estava empurrada para o primeiro semestre de 2025, por proposta do Governo.


      Durante o fim de semana, entre outros epítetos, a notícia foi (des)classificada como “fake news” e esta página também (des)classificada ao mesmo nível.


      Na segunda-feira seguinte, 21OUT, tal como havíamos prometido no sábado, voltamos ao assunto, analisando a notícia e confrontando-a com outros indícios que contribuíam para esse mesmo entendimento da notícia de que o Governo chutara efetivamente para o próximo ano a revisão da carreira.


      Perante a apresentação de todos esses elementos e mesmo da fonte da notícia, que ainda não tínhamos divulgado, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) tratou de apurar junto de elementos do Governo sobre a veracidade da notícia, designadamente, contactando a própria secretária de Estado que esteve presente na reunião da negociação coletiva com as três plataformas sindicais.


      Das diligências levadas a cabo junto do Governo, concluiu então o SFJ que tudo estava calmo, que essa intenção de chutar para o primeiro semestre de 2025 não era verdade e pacificou de novo os Oficiais de Justiça, aqueles que sempre se deixam facilmente amansar.


      Obviamente que todos sabem que esta página é impertinente e que mantém tal insolência já há mais de uma década, pelo que, acreditando piamente no relato da jornalista da publicação “online” ECO e não acreditando absolutamente nada na comunicação do Governo, nem mesmo da comunicação prestada via SFJ, solicitamos mais informação à ECO, pedindo que, se possível, nos fornecessem até a própria proposta apresentada pelo Governo na reunião de sexta-feira passada, onde se pudesse verificar se consta, ou não consta, preto-no-branco, a intenção do Governo de passar a revisão do Estatuto dos Oficiais de Justiça para o primeiro semestre de 2025.


      Com grande amabilidade e num louvável espírito de ajuda e colaboração, tanto pelo subdiretor da publicação, André Veríssimo, como da jornalista subscritora daquele tão bom artigo, que é exceção no panorama nacional tão formatado, de seu nome Salomé Pinto, prestaram-nos as informações pretendidas e ainda nos facultaram o tal documento apresentado pelo Governo na mesa negocial.


      Nesse documento, constatamos claramente que o Governo apresentou na mesa negocial nova calendarização, ali constando, de facto, que a carreira dos Oficiais de Justiça seria para rever no primeiro semestre de 2025. É essa de facto a intenção do Governo expressa no dito documento.


      Mas o problema que nos aflige não é o adiamento, é a mentira. Mais mês, menos mês, mais ano, menos ano, para quem espera há cerca de duas décadas é algo já irrelevante, mas para quem já foi enganado tantas vezes, continuar a sê-lo e continuar a acreditar nas mentiras é algo que nos perturba e revolta.


      Além do mais, que a revisão decorreria em 2025 já era previsão há muito conhecida e até comunicada pelo próprio SFJ que isso mesmo comunicou imediatamente antes das férias do verão, tendo vindo depois a encurtar o prazo até ao final do ano como mais um tranquilizante em face da desilusão inicial dos Oficiais de Justiça, entretanto acalmada.


      A 05JUN, em informação sindical que o SFJ intitulou como: “O primeiro passo está dado, os passos mais importantes para a carreira virão logo a seguir”, o SFJ dava nota do acordo alcançado. Nessa nota informativa afirmava-se a impossibilidade de ir mais além, em face da “posição do ministro das Finanças e do protocolo das negociações em curso”; informa-se ainda da decisão do SOJ em abandonar a reunião e logo de seguida afirma-se que a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, terá dito que, “sendo aceite a proposta ora apresentada, existirá nova valorização salarial dos Oficiais de Justiça, logo de seguida, aquando da negociação do estatuto.”


      Destaca ainda o SFJ em maiúsculas o seguinte: “É importante não esquecer que sem resolução da questão do suplemento, o Governo não iniciaria a negociação estatutária!” E logo no terceiro parágrafo consta que o novo valor do suplemento vai – passamos a citar – “vigorar até à entrada em vigor do novo estatuto, que a Sra. ministra da Justiça pretende ver concretizado antes do movimento ordinário de 2025”. Portanto, antes do Movimento Ordinário que a DGAJ apelida de Movimento de Junho, ou seja, no primeiro semestre de 2025.


      Portanto, quando desde junho se anuncia o primeiro semestre de 2025, quando agora se comprova que o Governo, representado na mesma secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, que esteve na reunião do acordo com o SFJ em junho e que esteve na reunião da negociação coletiva em que faz entrega do documento com a menção ao primeiro semestre de 2025, na passada sexta-feira, quando agora vem dizer ao SFJ o que o SFJ diz que disse, isto é, que “O acordo firmado em junho de 2024, tinha subjacente que a pré-negociação estatutária se iniciasse logo de seguida, o que se concretizou, e que o seu términus ocorresse até 31 de dezembro de 2024”, como consta da última nota sindical, quando o que se diz em junho passado não é nada disso, e ainda se diz, na nota desta segunda-feira, que “no seguimento destas nossas diligências, em contacto direto com a Sra. Secretária de Estado da Administração Pública, Dra. Marisa Garrido, foi-nos garantido que não havia qualquer alteração ao estipulado na sequência do acordo de junho de 2024, mantendo-se o calendário acordado para a revisão estatutária.”, perante tudo isto, constatamos que há em todas estas afirmações e informações, incongruências incontornáveis, sendo mais do que certo que nesta embrulhada das inverdades os Oficiais de Justiça são as vítimas subjugadas.


      O SFJ diz em junho que se quer concluída a revisão do Estatuto até ao Movimento Ordinário de 2025, no seguimento da reunião do acordo, onde esteve presente a secretária de Estado da Administração Pública, e diz agora que o que estava “subjacente” ao acordo era o término da revisão estatutária a 31 de dezembro de 2024 e a mesma secretária de Estado diz que nada mudou quando apresentou o documento onde consta a mudança.


      Não temos a certeza se todos os nossos leitores conseguem acompanhar esta jigajoga, o que é normal, pois não é fácil perceber tanta confusão.


      Por fim, fica a seguir a ligação ao documento apresentado pelo Governo, representado pela mesma secretária de Estado que temos vindo a referir, onde consta o chuto para o primeiro semestre de 2025, mas que, segundo a mesma, não é uma alteração ao acordado. Quiproquós indecifráveis, ou talvez não?


      Aceda diretamente por aqui: “Proposta do Governo na Negociação Coletiva de 18-10-2024”.


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      Fontes: “SFJ-Info-05JUN2024”, “SFJ-Info-21OUT2024”, “Comunicado do Governo” e “Eco-Artigo-Calendarização”.

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