Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

A Voz dos Oficiais de Justiça: “A despedida do José Carlos”

      Hoje, vamos reproduzir a comunicação de despedida do Oficial de Justiça José Carlos Silva, que hoje mesmo deixa a carreira para enveredar por uma outra melhor remunerada.

      Recordamos que às quartas-feiras é o dia da habitual e muito aguardada rubrica: “A Voz dos Oficiais de Justiça”, contendo os escritos que nos são remetidos pelos leitores para o nosso endereço de e-mail geral: [email protected]

      Estarão, sem dúvida, recordados que o José Carlos Silva é um Oficial de Justiça que esteve envolvido em diversas iniciativas de defesa da carreira, conforme aqui sempre fomos dando notícia.

      Na sua comunicação de despedida, começou por nos dirigir algumas palavras de apreço, que muito agradecemos e que retribuímos, porquanto o seu empenho em não deixar cair o coletivo dos Oficiais de Justiça é igualmente merecedor de um grande agradecimento.

      E diz assim:

      «Não obstante, e apesar de ir acompanhar futuramente o vosso trabalho não poderia deixar de agradecer todo o esforço e dedicação que os colegas fazem em prol da nossa classe e durante anos. Do fundo do meu coração o meu muito obrigado.»

      E seguidamente dirige-se a todos os Oficiais de Justiça.

      «Caros Colegas Oficiais de Justiça,

      Como muitos já saberão, no próximo dia 1 de outubro inicio uma nova etapa profissional.

      Antes de fechar este capítulo, sinto o dever moral de vos deixar uma palavra.

      Lutar ao vosso lado, seja no impulsionamento do nosso movimento inorgânico, nas funções de delegado sindical, na representação da classe na Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias ou, simplesmente, na qualidade de Oficial de Justiça, foi uma das missões mais nobres que abracei.

      Mudo de funções, mas não mudo de princípios.

      A consciência das nossas dificuldades, do esforço desmedido que é exigido nas secretarias, das justas reivindicações da nossa classe e da desconsideração política para com a mesma é uma bagagem que levo comigo para onde quer que vá.

      Não obstante todos os problemas da nossa classe e as nossas diferenças, nunca me esquecerei da nossa maior qualidade: a empatia e o bem receber!

      Nunca me esquecerei daqueles Oficiais de Justiça que receberam um jovem, à data com 23 anos de idade, a 500 km da sua residência, distante dos seus familiares. Colegas que o acolheram como se de um dos seus se tratasse e que tiveram a paciência e a sabedoria de lhe explicar e ensinar o que muitos livros não detêm: a empatia, o altruísmo pelo próximo e o conhecimento prático que só vastos anos de experiência profissional permitem adquirir.

      Claro que nem tudo “foi um mar de rosas”, mas nunca se esqueçam destas qualidades que detemos, pois são elas que, acima de tudo, nos tornam especiais e de nível de complexidade 4.

      Saio com a convicção ainda mais reforçada de que um sistema de justiça forte só existe com Oficiais de Justiça valorizados, e essa é uma certeza que não deixarei à porta de onde quer que vá. É a convicção que levarei para sempre comigo, pois o maior bem que o ser humano pode ter é nunca se esquecer da sua proveniência e das suas raízes.

      Irei para sempre dizer, com orgulho, que um dia fui Oficial de Justiça.

      Agradeço a confiança que em mim depositaram nos momentos de luta.

      Saio com a consciência de que, enquanto cá estive, entre vós, tudo fiz para que recebêssemos a devida valorização.

      Peço desculpa se em algum momento desapontei ou não correspondi às expectativas de algum de vós…

      Como defendia Rudolf von Ihering, “o meio para alcançar o direito é a luta”. Indo ao encontro deste pensamento, peço-vos, encarecidamente, que nunca desistam, pois vale a pena lutar quando a causa é justa, e se há causa justa, essa é a nossa!

      Havemos, talvez, de nos encontrar um dia por aí…

      Até lá, um abraço! (José Carlos Silva)»

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