Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

A Vida Adiada

      Até há dias, até à declaração do fim das negociações e da postergação das mesmas para o novo governo que sair das eleições de 30JAN, os Oficiais de Justiça estiverem a um passo de ver destruída a carreira tal como hoje está concebida.


      Até esta quarta-feira passada, a carreira esteve prestes a ser congelada e dividida em apenas duas categorias, cerceando as hipóteses de progressão na carreira, através de categorias, tal como hoje existe e é motivo de empenho e interesse por parte de quase todos os Oficiais de Justiça.


      Claro que isso não significa que na próxima legislatura outros governantes, ou até os mesmos, possam voltar a apresentar a obtusa proposta. De momento, o prosseguimento daquela ideia foi travado e nada mais do que isso.


      Lamentavelmente, continua por ser feita justiça aos Oficiais de Justiça, seja na ausência da simplicidade de integração do suplemento, seja na ausência da complexidade de um regime diferenciado de aposentação, entre tantas outras matérias imprescindíveis para a carreira.


      Mais um adiamento, mais uma prorrogação… E tudo isto tem um custo elevado para os Oficiais de Justiça. O adiamento das soluções tem custos.


      A ausência da correção das promoções dos Secretários de Justiça; a não realização de cursos para as categorias de Escrivão de Direito e de Técnico de Justiça Principal; a não realização de movimentos com promoções às categorias de Escrivão Adjunto e de Técnico de Justiça Adjunto; a ausência de movimentos alargados a todos e não apenas a meia-dúzia de lugares por interesse do serviço, sem interesse pelas pessoas; enfim, todo este congelamento tem custos.


      A vida dos Oficiais de Justiça está suspensa. Em pausa, a aguardar. Nem sequer se move como em câmara lenta, pura e simplesmente, a imagem parou; congelou.


      Os Oficiais de Justiça deslocados das suas áreas de residência continuam a suportar custos que são insuportáveis, valendo-se da ajuda de terceiros. Oficiais de Justiça com mais de vinte anos de serviço e extremada dedicação não conseguem ver premiado o seu esforço e dedicação. Paira, pois, o desânimo.


      Impera o desalento e esmorece o dia-a-dia. A falta de incentivo, seja por este congelamento pendente, seja por uma carreira nova de uma única categoria separada da outra, leva, necessariamente, a que as pessoas passem a realizar o mínimo e a desleixar muita coisa.


      A falta de entusiasmo grassa hoje na carreira, seja pelo congelamento, seja pela perspetiva negra do futuro, a qualidade do desempenho dos Oficiais de Justiça desce a cada dia e a bom ritmo.


      O próximo governo e os próximos elementos do Ministério da Justiça devem ponderar muito bem se querem manter o desalento e o baixo nível de empenho ou se pretendem gente feliz, empenhada e interessada, pelos incentivos de uma carreira que possa valer a pena.


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