Nas páginas da revista "Visão" desta semana (edição de 24 a 30 de agosto), encontramos o seguinte destaque intitulado “Oportunidade Mórbida” (recorte abaixo no final do artigo) que diz assim:
«Na manhã da última segunda-feira, 21AGO, e estando o país surpreendido com o facto de o Ministério da Justiça pôr a trabalhar, a partir de setembro, 200 novos Oficiais de Justiça com salários líquidos mensais que não chegam aos € 800,00, o que fez o Gabinete da ministra Catarina Sarmento e Castro?
Em vez de emitir uma declaração a lamentar vencimentos tão baixos, decidiu comunicar que, também a 1 de setembro, a certidão de óbito passa a ter validade permanente – até agora era necessário renová-la.
Pelo menos, o preço da tal certidão é algo que estes salários poderão suportar...»
Este destaque na revista “Visão”, refere-se à notícia desta segunda-feira do Público, baseada num artigo desta nossa página informativa, artigo esse que o Público cita, sendo a notícia replicada em todos os meios de comunicação social.
O que assistimos nesta semana foi a toda a comunicação social ficar espantada com os vencimentos dos Oficiais de Justiça. Quer isto dizer que os cidadãos acreditam que os Oficiais de Justiça são muito melhor remunerados e todos ficaram escandalizados quando viram as contas e perceberam que aqueles vencimentos estavam ligeiramente acima do salário mínimo nacional.
Para o cidadão comum é inconcebível como alguém que vai exercer estas funções nos tribunais e nos serviços do Ministério Público, possa auferir pouco mais do salário mínimo nacional e, ainda por cima, seja obrigado a ir trabalhar para longe de casa, deixando o salário quase todo num quarto de uma habitação partilhada com imigrantes de todas as nacionalidades.
Na hotelaria do Algarve faltava mão-de-obra escrava e barata para trabalhar ao gosto dos restaurantes e hotéis, foi encontrada a solução: mandar vir imigrantes, especialmente dos países lusófonos. Os serviços de transporte público da área de Lisboa estavam sem motoristas e importaram-nos de Cabo Verde. Os médicos vêm de Cuba. Nas Forças Armadas faltam mais de sete mil militares, a ministra diz que vai aumentar em cem euros os ordenados mais baixos, mas já muitos apontam como solução alterar a Constituição para permitir a incorporação de estrageiros nas Forças Armadas de defesa do nosso país.
Esta é a nova solução: não há quem queira escravizar-se a troco de uma côdea? Chama-se-lhes malandros, diz-se que não querem trabalhar, que gostam é de viver de subsídios e importa-se mão-de-obra barata e disposta a tudo, e ainda sai mais barato, porque é possível pagar-lhes menos do que aquilo que seria devido a um português e ficam todos satisfeitos.
Esta nova mentalidade está quase a chegar aos tribunais e só não está mesmo já em prática porque ainda há alguns cidadãos portugueses que acreditam que esta é uma profissão cheia de boas condições e muito bem remunerada, como a maior parte dos cidadãos acredita, quando a única coisa que pode interessar, mas não a todos, apenas aos mais velhos, não aos mais novos, é o subsistema de saúde da ADSE, apesar de muito bem pago 14 vezes ao ano, pelo que o interesse é mesmo só para os que estão mais perto da reforma e não conseguem seguros mais baratos e tão abrangentes, o que já conseguem perfeitamente os mais novos.

De momento, com a ilusão das promoções, dos descongelamentos, da progressão da carreira, de um novo Estatuto maravilhoso e da possibilidade de uma aposentação diferenciada, as pessoas vão-se iludindo e aguardando, ano após ano.
Vimos neste último Movimento Extraordinário Oficiais de Justiça a serem promovidos com mais de vinte anos de serviço, levando para casa já não os cerca de 800 euros, mas, ao fim de mais de vinte anos, uns excelentes mil e duzentos euros líquidos.
O Ministério da Justiça deve começar a pensar em mandar vir estrangeiros de países terceiro-mundistas, porque a ilusão não vai durar sempre e já há indícios.
Atente-se bem neste indício: dos 391 candidatos aprovados, não foram colocados todos nos 200 lugares disponíveis por vontade própria. Quando foi apresentado o projeto do Movimento já lá vinham indicados para colocação oficiosa, isto é, contra a sua vontade, 7 candidatos. O projeto foi divulgado a 02AGO. Vinte dias depois, a 22AGO, na versão final desse mesmo Movimento, as colocações oficiosas já vinham duplicadas, em apenas vinte dias, as colocações à força já eram 13.
Ao dia de hoje, desconhece-se quantos mais já abandonaram o ingresso e quantos mais já foram chamados para tapar os buracos, buracos esses que vão continuar a surgir e é previsível que até ao fim deste ano, com mais abandonos, não seja possível manter os 200 lugares, aliás, como já aconteceu no passado noutros concursos de onde não se retirou nenhuma aprendizagem ou, se se retirou, retirou-se com este mesmo propósito, com esta intenção de deixá-los ir.
Entretanto, o Ministério da Justiça, com o outro secretário de Estado, que é especialmente ativo, mas a quem não lhe foi atribuído o pelouro dos tribunais, vai fazendo brilharetes nas Conservatórias e a ministra da Justiça, não tendo nada mais para propagandear, agarra-se a qualquer coisita que venha daqueles lados dos Registos, de onde estão sempre a vir novidades, como esta da certidão de óbito que, e bem, já não é necessário renovar porque, depois da vinda da entidade papal do Vaticano, alguém se apercebeu que o ressuscitamento que a Igreja Católica fala não é terrenal e não vai ser mesmo necessário reverter ou introduzir alterações à certidão de óbito. E ainda andam para aí as más línguas a dizer que a vinda do papa e a JMJ não trouxe benefícios; ora aqui está um.

