O bastonário da Ordem do Advogados escreveu um artigo de opinião no Correio da Manhã, no qual aborda a greve dos Oficiais de Justiça da próxima semana. Vai a seguir reproduzido.
«Os trabalhadores dos registos e notariado têm estado em greve dois dias por semana durante o mês de agosto, o que tem criado enormes dificuldades ao trabalho dos advogados nestes serviços.
Agora os funcionários judiciais e os oficiais de justiça anunciaram uma greve para os próximos dias 1 e 2 de setembro, o que irá perturbar a reabertura programada dos tribunais, mais uma vez causando problemas aos advogados e aos cidadãos que necessitam de aceder à justiça.
Infelizmente estas greves são uma clara demonstração da enorme insatisfação com a política do Governo para o setor da Justiça.
Nos últimos anos tivemos um Ministério da Justiça empenhado em governar apenas para as magistraturas, esquecendo todos os restantes profissionais que trabalham neste setor.
Esperar-se-ia por isso que a mudança de titular da pasta provocasse uma mudança de paradigma na política, mas até agora infelizmente o que temos visto tem sido uma mera evolução na continuidade.
Em consequência, todos os dias a imagem da justiça vai-se degradando aos olhos da opinião pública, levando a um profundo descrédito das instituições.
É por isso mais do que tempo de a situação ser alterada, a bem de todos os que trabalham no setor.»

Numa ação completamente inédita no que diz respeito ao sindicalismo judiciário, ambos os sindicatos dos Oficiais de Justiça, por fim, declararam uma greve de iniciativa conjunta.
Num claro sinal de união na ação, a mensagem que é transmitida é precisamente essa: uma mensagem de união e, portanto, de força; de firmeza e determinação, da parte de todos os Oficiais de Justiça.
O Ministério da Justiça, e as entidades administrativas dependentes deste Ministério, têm que compreender que agora as diferenças de opinião e as diferenças de ação foram postas de parte e construída uma nova força única e que esta nova força não está só no papel e nos sindicatos mas na realidade de todos os Oficiais de Justiça.
Nos próximos dois primeiros dias de setembro essa força dos Oficiais de Justiça tem de ser claramente demonstrada.

Fonte principal: reprodução do artigo subscrito por Luís Menezes Leitão, bastonário da Ordem dos Advogados, publicado no Correio da Manhã e no portal da Ordem dos Advogados.
