Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

A mentira da ministra e não só

      Depois do fracasso do desejo dos Oficiais de Justiça em demonstrar a insatisfação com o estado da carreira e a falsa pacificação do pequeno acordo, no arranque de um megajulgamento em Lisboa, com ampla cobertura mediática, os Oficiais de Justiça viraram a sua atenção para outras coordenadas e, a norte, no Porto, encontraram agendada para ontem mais uma diligência com boa cobertura mediática, suficiente para desmentir a ministra da Justiça e não só.


      Ontem, durante todo o dia, as televisões passaram o tempo todo a referir a greve dos Oficiais de Justiça do Juízo de Instrução Criminal do Porto – cuja adesão foi de 100% –, não permitindo a realização de uma diligência instrutória com ampla cobertura mediática nacional.


      À porta do edifício que alberga o Juízo de Instrução Criminal do Porto, compareceram diversos outros Oficiais de Justiça em sinal de apoio, todos aproveitando as greves do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) decretadas para todas as sextas-feiras.


      Como todo o país viu, e os Oficiais de Justiça pouco crédulos também, as greves atualmente ativas não possuem serviços mínimos nenhuns, pelo que o facto do processo ter caráter urgente com arguido privado de liberdade, não interessa para nada.


      A diligência não foi realizada em face da total adesão à greve dos Oficiais de Justiça daquele Juízo de Instrução Criminal. Não houve substituições, o que seria ilegal, e o arguido em prisão preventiva voltou ao seu encerramento prisional.


      Dos Oficiais de Justiça presentes no local, em apoio àquela greve, a comunicação social entrevistou, sucessivamente, o José Carlos Silva, já conhecido dos Oficiais de Justiça, pelas suas intervenções e militância no grupo que vai organizando tantas iniciativas concretizadas à margem dos sindicatos, mas um “à margem” pouco marginal, uma vez que o José Carlos Silva é associado do SOJ e participa no grupo misto das iniciativas com associados e representes do SFJ.


      Das muitas entrevistas concedidas pelo José Carlos, selecionamos duas notícias televisivas, da SIC e da RTP, que podem ver nos vídeos abaixo.


20241018.JIC.PRT.jpg


      Ontem, o José Carlos Silva, ultrapassou todos os índices de popularidade entre os Oficiais de Justiça – pelo menos entre os insatisfeitos –, sendo colocado num patamar em que foi aclamado como bom representante e comunicador dos interesses dos Oficiais de Justiça, constituindo uma lufada de ar fresco renovador na carreira, aplaudido e desejado para que represente os Oficiais de Justiça, em substituição das atuais estruturas sindicais.


      O José Carlos é, sem dúvida alguma, uma mais-valia para os Oficiais de Justiça, especialmente no atual contexto da carreira, tal como o são os demais elementos do grupo das iniciativas, pelo que não deveria substituir ninguém nas atuais estruturas sindicais, como alguns defendem, mas tornar-se uma presença alternativa, uma terceira via, um acrescento de valor, desde logo junto com outro elemento também bem irrequieto e promotor das iniciativas, o Walter  Figueiredo (JP), independentemente das suas atuais diferentes filiações sindicais: o primeiro do SOJ e o segundo do SFJ, ambos ocupando cargos de representação local das suas respetivas estruturas sindicais.


      Os Oficiais de Justiça precisam de, pelo menos, mais uma alternativa e, neste momento, não há mais ninguém à altura dessa possibilidade de representação, de presença e de reivindicação.


      Em conclusão, assistimos ontem a um ato de greve muito relevante e também muito grave, aplicado a uma diligência com arguido preso que, segundo a lei, tem prioridade sobre todo o demais serviço, mas, neste caso, não tem prioridade sobre a greve dos Oficiais de Justiça.


      Com essa ação (mais uma), os Oficiais de Justiça redemonstram que a ministra da Justiça mente quando diz e repete que o acordo dos 3,5% pacificou os Oficiais de Justiça e acabou com as greves, designadamente com a greve que durava há ano e meio, o que é totalmente falso, como todos os órgãos de comunicação social tiveram e têm oportunidade de constatar, uma vez que a greve do SOJ de todas as tardes, iniciada em 10-01-2023, já a caminho de perfazer os dois anos, não terminou e se mantém perfeitamente ativa todos os dias.


      Portanto, a mentira da pacificação com os 3,5% e o alegado fim das greves, mentira alimentada, não só pelo Governo como até por alguns Oficiais de Justiça, vem se tornando cada vez mais venenosa, tóxica e decrépita, pela mera análise da realidade e, já agora, também pela notícia ontem obtida de que o Governo acaba de adiar a prometida e tão firme revisão da carreira dos Oficiais de Justiça até ao final deste ano, para o primeiro semestre de 2025, assunto a que, obviamente, voltaremos.


      E agora, sem mais conversa, seguem os dois vídeos que tão bem ilustram tudo quanto aqui ficou expresso.




 

0