Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

A luta continua, mas está em modo de mera autogestão

      Ainda ontem, a norte, a comunicação social acorreu a início de julgamento de político mediático acabando a constatar que, afinal, não havia julgamento nenhum porque os Oficiais de Justiça daquele juízo estavam ausentes por greve.


      A agência Lusa difundiu duas notícias: na primeira constava mera menção a Oficiais de Justiça em greve, já na segunda, mais tarde, foram reproduzidas declarações de um elemento sindical do SFJ que explicou a greve das manhãs e que havia uma clássica às quartas e sextas e outra à agenda às segundas, quintas e sextas.


      Este tipo de comunicação com os órgãos de comunicação social deve ser repensado.


      Comunicar aos “mass media” uma greve não é o mesmo que explicar aos colegas de profissão a mesma greve.


      Comunicar ao público e à comunicação social a greve tem de ser mais simples: bastava dizer que há greve todas as manhãs, sem mais pormenores, porque os pormenores são para os aderentes à greve, mas o ideal seria sair do armário do sindicato das manhãs e comunicar que os Oficiais de Justiça estão de greve todos os dias durante todo o dia e todo o dia, claro está, é também de tarde, apesar da greve das tardes ser de um outro sindicato.


      Para um Oficial de Justiça a greve do dia que faz não tem uma fronteira a meio e não faz uma porque é deste sindicato e a outra não por ser do outro, faz as duas indistintamente.


      Ainda esta segunda-feira o SFJ difundia na comunicação social a greve às horas “extraordinárias” – preferimos usar o termo de “greve fora de horas”, porque as ditas “horas extraordinárias” são entendidas como sendo pagas – nessa informação o foco foi essa greve, sem contextualização com as das manhãs e, claro está, muito menos, com a das tardes.


      Essa fragmentação das comunicações sindicais não ajuda à passagem de uma greve forte e simples de perceber, como isto: “todos os dias e todo o dia até ao dia do 50º aniversário do 25 de Abril” ou “quatro meses de greve diária, durante todo o dia”, etc. mensagens simples, simplificadas, que cheguem ao grande público e que os jornalistas compreendam e repliquem.


      A reprodução dos avisos prévios das greves e todos os pormenores das mesmas só confunde e o público não compreende, os jornalistas, muitas vezes preguiçosos e que se limitam a reproduzir o que lhe dizem, também não explicam e, por isso, preferem compreender as greves simples dos professores, dos médicos, dos comboios, etc. Percebem-se melhor, portanto, falam-se mais.


      Esta dificuldade de comunicação em fazer despertar o interesse do público e, consequentemente, dos jornalistas, deve ser preparada a nível central e difundida internamente a todos os elementos que representam os sindicatos em todo o país, com a comunicação-chave preparada, bem preparada, para que seja essa mensagem, até preparada por profissionais, a que tem de ser transmitida aos jornalistas.


      Evidentemente que, nessa mensagem preparada, há que ter em conta todas as lutas ativas dos dois sindicatos e a mensagem deveria ser comum, sem qualquer pejo por parte dos elementos do SFJ em referir a greve das tardes e vice-versa, os elementos do SOJ mencionariam também, com todo o gosto, a greve das manhãs do SFJ. Porquê? Porque ambas são dos Oficiais de Justiça, depois do aviso prévio lançado, deixam de pertencer aos sindicatos para pertencerem aos Oficiais de Justiça e são estes que devem ser defendidos e não o sindicato A ou B.


      Nesta nova estratégia comunicacional há que repensar muitos outros aspetos, como, por exemplo, o assunto do suplemento remuneratório.


      Está mais do que provado de que referir a reivindicação da integração do suplemento de 10%, defender o seu pagamento em 14 vezes ao ano, mencionar as promessas ministeriais ou as leis do Orçamento de Estado, é forma que não está a produzir nenhum efeito, portanto, há que dar a volta ao texto.


      O que os sindicatos devem passar a dizer à comunicação social é o mesmo, mas de outra forma. Por exemplo, por que não dizer que o Governo faz um corte no vencimento dos Oficiais de Justiça de 20% em junho e de 10% em novembro?


      Os Oficiais de Justiça andam o ano todo a ter um vencimento que é cortado nessas percentagens nesses meses, com perda desse rendimento.


      Isto é uma forma diferente de transmitir a mesma mensagem. A perda dos 20% em junho deve-se ao corte de um mês dos 12 meses do ano e ao não pagamento junto com o subsídio de férias. E deve explicar-se que este corte deve-se à ideia do Governo de que os Oficiais de Justiça no mês de férias não precisam de receber tanto como nos outros meses, porque não trabalham, e por isso cortam esse mês de férias e fazem-no em junho, por ser o mês do recebimento do subsídio de férias, mês onde o corte fica disfarçado com o recebimento do subsídio de férias. É um truque. Quanto ao corte em novembro, corresponde ao corte no subsídio de Natal. Deve o Governo querer representar o corte como uma bela prenda no sapatinho dos Oficiais de Justiça.


      Quando uma mensagem não passa de uma maneira, não vale a pena insistir na mesma, tem de ser alterada para uma forma que se torne mais compreensível por quem está de fora da profissão.


      Mais uma vez há que saber distinguir os destinatários da mensagem: uma coisa é o público em geral e outra coisa são os colegas de trabalho.


      A comunicação para o exterior dos tribunais é fulcral e esta comunicação não tem existido, o que tem existido é, antes, a repetição da comunicação do interior para o exterior, a mesma, e isto está bem à vista de todos, não tem funcionado.


      Resumindo, há que pedir ajuda a profissionais da comunicação, como os do “markting” e da publicidade, elaborar uma mensagem comum aos dois sindicatos e difundir a nível nacional a mensagem adequada, numa campanha pensada e programada. Tudo isto, porque, até aqui, os erros comunicacionais são muitos e emperram a esforçada luta dos Oficiais de Justiça.


      Diariamente os Oficiais de Justiça continuam a esforçar-se em múltiplas ações, todas elas improvisadas e impulsivas. Esta espontaneidade dos trabalhadores é muito bonita e já foi objeto de muita filosofia, mas nos tempos que nos cabe viver, cabe-nos ser mais pragmáticos e, consequentemente, mais eficazes, tanto mais que as greves têm saído muito caras aos Oficiais de Justiça.


      Neste sentido, é também necessário que os Oficiais de Justiça espontâneos tenham noção de que os seus atos devem ser mais preparados, deter um texto escrito preparado para a comunicação social, que pode ser memorizado e dito, ou lido, ou entregue, ou tudo junto, bem como difundir todas as ações, seja através de imagens, vídeos ou simples informação. Neste aspeto, já sabem, estamos à disposição para a divulgação, seja através do nosso e-mail geral: [email protected], seja através da linha de WhatsApp que também mantém o Grupo Nacional de Oficiais de Justiça nessa rede: 96 877 29 29.


      Ainda ontem, na sua habitual coluna do Correio da Manhã, o presidente do SFJ deixava o seu comentário intitulado “Greve como única opção” e discorria sobre o absurdo que considera que haja trabalhadores no século XXI  que se vejam obrigados a recorrer à greve como única forma de fazer valer os seus direitos. Para além do século XXI, em Portugal devemos acrescentar o absurdo que é num país que vai comemorar os 50 anos da sua Revolução libertadora.


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      Fontes: notícias difundidas pela agância Lusa em vários órgãos, como, por exemplo, a primeira notícia no jornal “O Novo”, ou a segunda notícia na rádio “Record FM”, e artigo de António Marçal no “Correio da Manhã”.

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