Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

A linha vermelha para o abandono da carreira

      «Estou de licença até quase ao final do ano, sou do norte e tenho toda a família aqui, mas fui colocada no sul do país. Aceitei a colocação já há quase 5 anos, porque não fazia ideia de como iria ser difícil voltar para perto.


      Esperava que acontecesse neste Movimento, mas não aconteceu. Tenho dois filhos muito pequenos, abaixo dos três anos, e só tenho uma certeza: não volto a deslocar-me.


      Não posso deixar aqui os meus filhos, nem posso levá-los comigo, pois só eu a ir, já é uma despesa muito difícil de suportar, então com duas crianças é impossível.


      Entre perder tempo a reclamar do Movimento, que não serve para nada, ou perder tempo a procurar outro trabalho para quando a licença terminar, é este o meu atual dilema e é muito desanimador.»


      De entre as várias comunicações sobre o Movimento divulgado (ainda em forma de projeto), quisemos destacar esta que hoje aqui reproduzimos porque ilustra muito bem o estado de espírito e a vida de muitos dos Oficiais de Justiça deslocados.


      Ao contrário dos Oficiais de Justiça mais antigos na carreira, que suportavam estar deslocados, e estiveram deslocados tantos anos, porque a carreira era compensatória e perspetivavam um futuro melhor, hoje, os Oficiais de Justiça mais novos na carreira, com um vencimento pouco acima do salário mínimo nacional e sem quaisquer perspetivas de futuro, já não suportam, e bem, este estado insuportável a que a carreira chegou, ponderando uns abandonar a profissão, enquanto outros já a abandonaram ou nem sequer chegaram a tomar posse.


      Temos conhecimento de muitos casos em que este Movimento se tornou a linha vermelha para o abandono da carreira, pelo que a contagem dos atos praticados no Citius como critério, entre outros, para as colocações neste Movimento, acabaram de determinar não as colocações, mas as saídas; a desistência desta sofrível situação.


      A Administração da Justiça está distraída com outros assuntos e não presta, há anos, a devida atenção à carreira dos Oficiais de Justiça nem às pessoas que a compõem. Ultimamente, entretêm-se com a contagem dos atos, o novo Santo Graal bebido do Citius e com outras informatizações, descurando, ao que tudo leva a crer, propositadamente, as pessoas.


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