Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

A Greve que acaba, a Linha Vermelha e o Compromisso Escrito

      Termina amanhã – 17JUN – a greve de uma hora diária durante um mês, disponibilizada a todos os Oficiais de Justiça pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).


      Desde que foi conhecido o projeto de Estatuto apresentado pelo Governo, verificou-se um aumento de adesões à greve.


      Tal como aqui já referimos, todos contam, todos mesmo, mesmo aqueles poucos nos lugares mais recônditos do país, porque o registo de assiduidade, onde são lançados os registos das greves, são considerados pela entidade governamental de gestão do pessoal.


      Os baixos registos de adesões às greves permitem com todo a-vontade as atitudes do Governo, uma vez que perante tais números concretos de trabalhadores que, maioritariamente e apesar de desagradados, não o demonstram por esta via de registo efetivo de adesão à greve.


      O Governo pode decretar o que quiser que sempre haverá uma maioria de Oficiais de Justiça que não fará greve?


      Vejamos o caso de secções do Ministério Público em que só trabalha um ou dois Oficiais de Justiça, e são tantas no país. Um indivíduo sozinho considerará que não faz a diferença mas o problema é que há muitos indivíduos sozinhos a pensar assim e em vez de este contar como menos um, acaba por contar como menos 100.


      De igual forma, todos aqueles que estão em teletrabalho e que costumam não aderir às greves, também estes deixam de contar ou, melhor, contam negativamente nas adesões.


      Do universo de Oficiais de Justiça em funções há sempre um número de adesões e um número de não adesões e esse número é um número concreto que a Administração da Justiça detém.


      Qual é a imagem que os Oficiais de Justiça estão a transmitir ao Governo? Será que o Governo fica intimidado pelas fotos e comentários nos grupos fechados do Facebook? Será que fica intimidado com slogans repetitivos de união, de força, etc.? Ou será que lhes basta consultar os números concretos das greves?


      Todos contam e quantos mais contarem maior será a força e a determinação que se transmite; maior é o aviso que se transmite. Vale a pena que todos pensem nisto.


      O mês destas greves diárias acaba por ser pouco mais de 20 dias úteis e ontem, a propósito do vigésimo dia de greve, o presidente do sindicato convocante, em vídeo publicado na página do SFJ no Facebook, dizia assim:


      «Estamos hoje no vigésimo dia da nossa jornada de paralisação diária e temos assistido ao engrossar das fileiras de todos quantos lutam por um futuro melhor, pela dignificação de uma carreira que é pilar essencial na justiça em Portugal.


      Por isso mesmo, aquilo que nós podemos garantir é que a nossa disponibilidade para negociar é total desde que isso signifique que os compromissos anteriormente assumidos, e tal passa, desde logo, por não dividir a carreira mas por garantir que a todos os atuais Oficiais de Justiça é dada igual oportunidade de progressão na carreira.


      Esse é um ponto de onde não transigiremos até porque esse foi um compromisso assumido de forma escrita pela senhora ministra da Justiça, Dra. Francisca van Dunem, essa é uma linha vermelha que não pode nem deve ser ultrapassada e isso, caras e caros colegas, é o nosso compromisso.»


      Ficamos assim a saber que o SFJ traçou uma linha vermelha e que detém compromisso escrito da própria ministra, foi isso que o presidente do SFJ transmitiu, acrescentando que a tal linha vermelha não será transposta.


LinhaVermelha.jpg


      Fonte citada: “SFJ-Facebook”.

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