A greve horária em curso não tem uma adesão diária de 100% dos Oficiais de Justiça mas todos os dias; todos os dias mesmo, tem uma adesão significativa, ou melhor, muito significativa, apesar de variável.
Nas notícias da SIC de ontem víamos a adesão e a cobertura jornalística da greve, contando com a presença do deputado do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, que muito tem apoiado a causa dos Oficiais de Justiça, mesmo no plano legislativo. Aliás, os Oficiais de Justiça reúnem, sem esforço, um grande apoio de diversos quadrantes, exceto do Governo, apesar de o seu discurso ser, ele próprio, também de apoio; discurso esse que, no entanto, não passa disso mesmo, de mero discurso sem qualquer concretização.
Os portugueses assistiram à notícia de que poderá haver greve durante o período da tramitação do processo eleitoral das próximas eleições autárquicas. Claro que já houve iniciativas destas noutras eleições e o resultado não se mostrou especialmente relevante, pelo que depositar toda a atenção nessa hipótese, sem outras, alternativas ou complementares, poderá não se revelar eficaz.
António Marçal, presidente do SFJ, disse assim:
«…Isto poderá, efetivamente, levar a que haja atrasos e porque nós iremos prolongar também a nossa greve, não só no período da apresentação das listas mas também em toda a outra parte da tramitação do processo, da verificação da conformidade das candidaturas…»

Presente na greve estava também Regina Matias, dirigente sindical do SFJ que explicou aos jornalistas o seguinte:
«Nós ficamos para além da hora porque nos telefonam pessoas a chorar, os processos estão atrasados e nós ficamos mais um, mais um processo e é por isso que a senhora ministra diz que as estatísticas baixam; é porque nós ainda temos um sentido de responsabilidade, de entreajuda, e porque o nosso público-alvo é o cidadão, mas estamos esgotados.»
Os Oficiais de Justiça reveem-se nas palavras da Regina Matias. Os processos judiciais e do Ministério Público têm pessoas dentro; têm vidas, têm desesperos e é com essas pessoas; com a complexidade dessas vidas, que os Oficiais de Justiça lidam todos os dias e se preocupam.

Mais ninguém ouve os queixumes diários das pessoas, a revolta e o desespero, e mais ninguém se preocupa com essas mesmas pessoas.
Os Oficiais de Justiça são a cara da Justiça; não fazem o julgamento, não decidem as causas mas, para além desses aspetos pontuais, fazem tudo o mais, do princípio ao fim e mesmo depois do fim.
A intervenção pontual nos processos, em determinados atos, das magistraturas, não se compara com a intervenção constante e permanente, durante todo o curso do processo, mesmo depois de julgado e decidido o litígio, durante meses ou anos e anos. Por isso, os Oficiais de Justiça são o rosto mas também são a escora da Justiça e é por isso que não devem ser confundidos: escora e não escória, como vêm sendo tratados desde há anos.

Fonte: “SIC - com Vídeo”.
