Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

A complexidade política acima do nível 3

      No último artigo de opinião subscrito por António Marçal e publicado no Correio da Manhã, debruça-se, o ainda presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), sobre as eleições que se aproximam.


      Diz Marçal que “em pleno período eleitoral, os funcionários judiciais querem o que o normal cidadão, utente da justiça, também pretende” e afirma que tal pretensão é “a confiança na instituição Justiça”, sendo tal confiança o “corolário de uma democracia moderna, eficiente e de qualidade.”


      Aceita-se que os Oficiais de Justiça desejem o tal “corolário” e a tal “confiança” na justiça, como os demais cidadãos, mas, tal desejo, estamos em crer, vem a seguir, num segundo plano, uma vez que os Oficiais de Justiça estão ainda muito preocupados com o estado da sua carreira.


      Embora possa haver quem considere que o seu trabalho está terminado e já se encontre focado noutras preocupações e ambições políticas, o que a realidade nos aporta é que a nova e a velha carreira dos Oficiais de Justiça, ambas a vigorar em simultâneo, ainda estão a dar muitas dores de cabeça a todos, de tal forma que outras preocupações políticas ainda não são inquietações que se destaquem para o primeiro plano da vida do dia a dia dos Oficiais de Justiça.


      Por isso, embora se compreenda o nível de preocupação política do ainda presidente do SFJ, da perceção que vamos tendo da realidade dos tribunais e dos serviços do Ministério Público, o nível de preocupação dos Oficiais de Justiça está noutro patamar, num nível mais comezinho, preso pelos problemas de cada dia e pela incerteza do futuro.


      António Marçal considera ainda que “para que este setor se fortaleça é cada vez mais necessária a construção de consensos, a admissão que todos juntos farão bem melhor que cada uma das partes, e que é uma área que se robustece se existir convergências, quer entre os atores judiciais, quer entre os decisores políticos.”


      Fica sempre bem no discurso político uma referência à “construção de consensos” e, em termos mais concretos da área da justiça, a referência à “criação de uma Plataforma para a Justiça”, é um clássico.


      O ainda presidente do SFJ poderia, certamente, manter a postura de dirigente sindical até ao fim do mandato, mantendo o foco nas preocupações diárias dos seus representados, deixando as reflexões epistemológicas para a sua nova vida e carreira na política.


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      Fonte: “Artigo CM publicado na página do SFJ no Facebook”.

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