Oficial de Justiça

DIÁRIO DIGITAL DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA DE PORTUGAL
publicação periódica independente com 14 ANOS de publicações DIÁRIAS especialmente dirigidas aos Oficiais de Justiça

A apresentação em Gondomar da “Finitude dos dias imperfeitos”

      Neste próximo sábado, 20ABR, decorrerá uma sessão de apresentação do romance – do qual já aqui demos notícia – em que se relatam, entre outros, as vivências e os conflitos de uma personagem Oficial de Justiça.


      A apresentação será em Gondomar (Porto) e os Oficiais de Justiça que queiram ir poderão, não só conversar com a autora da obra, como até adquiri-la autografada.


      Todas as pessoas que se debruçam sobre a vida e a problemática dos Oficiais de Justiça, merecem a nossa atenção e reconhecimento, pelo que este sábado, pelas 16H00, todos os que puderem comparecer na Biblioteca Municipal de Gondomar estarão a apoiar esta atenção que Angela lopez teve para com os, tantas vezes, invisíveis Oficiais de Justiça.


      A “Finitude dos dias imperfeitos” tem trechos como os que seguem, sobre a personagem Alice, a Oficial de Justiça que, afinal, todos conhecem, ou melhor: que todos nela se reconhecem.


      «Horas sem fim a planear, preparar e executar atividades nos processos. Meses, anos a fio, a aplicar procedimentos, automatismos, ferramentas sempre a serem revistos, fazer ofícios, abrir processos, agendar e acompanhar diligências, reproduzir atas, organizar documentos que se acumulavam de forma obstinada, matando a esperança da tarefa concluída.


      Ao fim de tantos anos, continuava desinquieta com a urgência dos prazos, de despachos, de diligências, dos caprichos enfatuados de muitos magistrados e advogados, e sobretudo com os fragmentos de vidas e de dramas que atravessavam os seus dias. Havia dias que aquele tribunal parecia destilar séries monocórdias de um presente insustentável sem opções e sem esperança.»


      Na obra, Ângela Maria Lopez, pretende mergulhar os leitores no complexo mundo da justiça, onde a autora tem experiência de trabalho há mais de 30 anos, essencialmente na área da Família e Menores.


      Nas funções que a autora exerce, reconhece como primeiros interlocutores com o sistema judicial os Oficiais de Justiça e, por isso, a sua personagem da Alice surge natural e necessariamente.


      A autora avisa-nos que apesar de Alice ser uma personagem fictícia, no entanto ela existe mesmo. Diz assim a autora: “A Alice existe, cruzei-me com muitas Alice. Ainda esta semana estive com ela, eficiente, atenta, solícita, angustiada com as inúmeras tarefas a cumprir, pressionada por telefonemas, injunções, diligências, interpelações, chamadas…”


      No cartaz da apresentação (imagem que ilustra este artigo), consta a seguinte sinopse:


      “No romance as personagens encontram-se, com suas histórias únicas, nos labirintos de um tribunal, com seus conflitos internos e externos, suas incongruências entre o que aspiram, o que dizem e o que fazem.


      Enquanto Oficial de Justiça, advogada, juiz, psicólogo, utente, transportam a sua visão do Mundo, na perceção do outro, da justiça, presos entre tensões, conflitos, dramas pessoais.


      Todos eles heróis das suas vidas na busca de sentido da sua existência.”


      A autora pretende divulgar as dificuldades do sistema judicial, mas também a sua dimensão mais humana. Alice é uma das personagens principais, uma Oficial de Justiça que interroga a complexidade do mundo em que trabalha.


      Tal como a outra Alice do romance de Lewis Carroll, a sua própria identidade é posta em causa pelas estranhas lógicas de uma teia relacional que a ligam a outras personagens através da função que exerce, numa procura de sentido às tarefas repetitivas, sempre inacabadas, pouco reconhecidas em que, tal como na sua vida pessoal, acaba por se tornar o que não quer ser.


      Num dia imperfeito, a lógica absurda dos procedimentos que tem de cumprir confronta-a com a violência do sistema na sua normalidade para quem nele trabalha e para a quem ele recorre. 


      Tal como a pequena Alice do País das Maravilhas, esta personagem adulta para além dos questionamentos sobre o “O que é o normal e anómalo”, “o justo e o injusto” também se interroga sobre o que pode continuar a fazer sentido no lugar basilar e pouco visível que lhe é atribuído neste universo opaco, pouco eficiente pela sua complexidade e pelos seus formalismos. Um sistema em que o tempo nas suas lógicas funcionais, instrumentais se perde, escapa, esmaga as pessoas que a ele recorrem, mas também a quem nele trabalha.


      Face às lógicas e limites daquele espaço-tempo do judiciário face a um mundo em constantes transformações, Alice, em busca de sentido aos dilemas pessoais e profissionais, constrói um espaço próprio para além das injunções formais, dos desentendimentos, dos desencontros, da violência, das dimensões trágicas da existência humana.


      Pode saber mais sobre a autora e sobre o romance, podendo mesmo adquiri-lo, através das seguintes hiperligações:


https://angelalopez185907333.wordpress.com/


https://entreagente-comunicoergosum.blogspot.com/


https://www.bertrand.pt/livro/a-finitude-dos-dias-imperfeitos-angela-lopez/29156145


https://www.wook.pt/livro/a-finitude-dos-dias-imperfeitos-angela-lopez/29156145


      «Havia dias assim. Dias imperfeitos como este fim de tarde de domingo de março ensombrado desde a manhã por uma chuva miudinha e persistente. Tinha chegado aos cinquenta anos. Já começavam a ser muitos e cada ano parecia mais acelerado na sua vertiginosa irreversibilidade. Seria o tempo a passar ou a Alice que não se tinha apercebido da passagem do tempo?»


CartazApresentacao=AFinitudeDosDiasImperfeitos.jpg

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